A nova “onda” dos repositórios de pacotes


Introdução

Nestas últimas semanas, foram publicados alguns rumores sobre o que seria reservado pelo futuro Windows 8. O novo visual, os recursos, as especificações técnicas e a adoção de novas estratégias de mercado, certamente serão o centro das atenções. Em geral, as novidades sempre atraem os curiosos e interessados, embora nem sempre criem tantas expectativas quando estas são previsíveis. Mas desta vez, nenhuma outra me deixou tão impressionado o quanto esta: uma loja virtual…

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Long story short, these slide decks are chock full of internal thinking on Windows 8 – everything from customer target audiences to the Windows 8 developer market to the Windows 8 product cycle and much, much more.” — [by Stephen Chapman].

Uma loja virtual de aplicativos é um site ou portal especializado, geralmente provido de mecanismos especiais (geralmente um aplicativo ou ferramenta integrada ao sistema), onde o usuário pode adquirir, baixar e instalar aplicativos, sem ter que ficar se desgastando em procurá-los pela Internet. Em smartphones, a ideia é bastante comum e bem difundida, ao passo que para a plataforma Windows, isto ainda é uma novidade. Mas também, é um conceito bem antigo para os sistemas baseados em GNU/Linux, embora com implementações bem distintas…

Desde tempos antigos, o kernel Linux e todo o ecossistema de aplicativos, utilitários e ferramentas, são essencialmente de caráter livre, sob os termos da licença GNU GPL (entre outras). Por questões práticas, era mais interessante os integradores distribuírem todos os softwares necessários juntos: nasceu então, o conceito de distribuição e o seu repositório de pacotes, que é uma coletânea de aplicativos pré-compilados, preparados para serem prontamente instalados através das ferramentas aptas para esta tarefa. Porém, estas mesmas ferramentas – chamadas de gerenciadores de pacotes – apenas realizavam a instalação, atualização e remoção, dos pacotes previamente obtidos através da Internet. Muitos destes pacotes sequer eram pré-compilados, constituindo-se apenas do código-fonte.

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Atualização de uma lista de pacotes através do terminal.

Nos fim dos anos 90, o Debian surpreende os linuxers ao anunciar a criação da ferramenta de gerenciamento de pacotes APT (Advanced Packaging Tool). Diferente das demais ferramentas da categoria, o APT não só realizava as operações habituais de gerenciamento de pacotes (instalar, remover, atualizar), como também resolvia automaticamente a velha questão das pendências. E a maior surpresa, estava para conquistar o mundo: a possibilidade de realizar o download do pacote e todas as suas pendências, diretamente do repositório de pacotes oficial e sem complicações, instalando-as automaticamente e sem percalços!

À partir de então, as demais distribuições se entusiasmaram com a ideia, mas não exatamente de maneira unânime: grande parte lançaram os seus repositórios de pacotes, além de desenvolverem as ferramentas aptas para manuseá-los (com muitas optando por utilizar os repositórios Debian); outras, preferiram portar o APT para os seus sistemas, mesmo baseados em um formato de pacotes totalmente diferenciado do Debian, para o qual a ferramenta foi originalmente concebida (Conectiva); por fim, algumas raras distribuições preferiram se manter originais, optando por referenciar ferramentas de terceiros para a realização destas tarefas (Slackware). Em geral, mesmo com as diferenciadas concepções, a ideia do repositório de pacotes veio para ficar, junto com as ferramentas adequadas para gerenciar os softwares a serem instalados.

E alguns anos se passaram; então, chegou a Apple. No início de 2007, ela lança o iPhone. Este por sua vez, se passaria por mais um dos vários smartphones disponíveis no mercado, se não fosse um pequeno detalhe: o lançamento da Apple Store (meados de 2008), uma loja virtual (online) que possibilita o download de aplicativos para o smartphone, ampliando assim os seus recursos. Dada as similaridades, poderemos notar que a ideia de obtenção de aplicativos através de repositório continua basicamente intacta, embora tenham implementado maneiras diferentes de aplicá-la. E no rastro da Apple, vieram outras novas iniciativas, com as lojas da Nokia, BlackBerry, Palm e muitas outras…

Mas foi à partir do lançamento do Android, o sistema operacional para smartphones do Google, que esta história ganha um novo capítulo. Até antes, tínhamos duas classes distintas de repositório de pacotes: a clássica, idealizada pelo Debian e assimilada pelas distribuições GNU/Linux atuais; e as lojas virtuais, reimplementada para atender os interesses comerciais dos fabricantes de smartphones e seus sistemas operacionais, com a disponibilidade fácil de aplicativos proprietários. Porém, o Android foi o primeiro sistema comercial livre (sob a licença Apache) de grande destaque, baseado em um kernel Linux e apoiado por um consórcio de várias empresas, o Open Handset Alliance (que tem por finalidade, o estabelecimento de padrões e tecnologias abertas). Resumindo grosseiramente, basicamente as duas classes distintas de repositórios (livre e proprietária) se fundiram em uma só, por esta compartilhar as características de ambas as “modalidades”.

Inicialmente voltadas para atender a demanda de aplicativos móveis, as lojas virtuais modernas começaram a estender os seus domínios, à partir do momento em que outros dispositivos móveis começaram à surgir. Os MIDs, assim como os tablets, também foram beneficiados, já que tais dispositivos rodavam os mesmos sistemas operacionais que equipavam os smartphones. Já os netbooks, este se revelaram mais complexos, devido a necessidade de um sistema operacional em especial: ao mesmo tempo que são dispositivos móveis, ainda eram concebidos para serem usados como sistemas clássicos de desktops, mesmo que o uso seja casual e a interface de interação seja diferenciada, em prol do melhor aproveitamento possível da pequena tela LCD. Era como se combinássemos os sistemas de desktops e smartphones em uma categoria especial de dispositivos.

A Intel já havia dado o pontapé inicial desta nova fase, ao conceber o Moblin (2007), um sistema operacional livre baseado no kernel Linux. Originalmente voltado para atender a plataforma Intel Atom, que por sua vez é voltada especificamente para equipar os netbooks, os nettops e os demais dispositivos da categoria, novos rumos foram tomados no processo de desenvolvimento do Moblin: a Nokia entrou em cena e, com a fusão do seu sistema operacional Maemo (também baseado no kernel Linux), o sistema recebeu o nome MeeGo, que por sua vez acabou compartilhando as características de ambas as plataformas. O uso padrão da biblioteca gráfica Qt, o suporte à arquitetura ARM foram heranças da Nokia, ao passo que o processo de desenvolvimento foi encabeçado pela Intel. E o mais importante: um grande repositório de softwares – tanto livres encontrados em distribuições GNU/Linux, quanto aqueles proprietários de lojas online – estarão disponíveis para esta plataforma.

Como podem ver, à partir das iniciativas da Apple, do Google e da Intel, os repositórios de pacotes ganharam uma importância vital, seja para o sucesso de um empreendimento de sistema livre ou para as estratégias mercadológicas dos sistemas operacionais, independente deles serem móveis (smartphones, tablets, netbooks, MIDs) ou não (PCs desktops e nettops). Inclusive, o próprio Ubuntu saiu na frente ao conceber a Central de Software, um aplicativo intuitivo e fácil de usar para o gerenciamento de aplicações, substituindo as ferramentas mais complexas encontradas nas distribuições tradicionais.

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Screenshot da Central de Softwares do Ubuntu.

Em relação às “inovações” do Windows 8, parece que as coisas não serão tão diferentes, pois este sistema também terá a sua própria loja virtual embutida!

Então, o que mais pensar dos conceitos sobre os repositórios de pacotes? Numa época em que a constante inovação da tecnologia, a crescente importância da Internet, a necessidade de novos empreendimentos, o compartilhamento de conhecimentos e a globalização de modo geral, moldam aquilo que conhecemos (até então) sobre a concessão de softwares? Até mesmo a computação em nuvens dá as suas cartas, possibilitando a utilização de aplicativos diretamente pela Internet! Deveremos nos preparar para os novos tempos, em que o suporte e a compatibilidade à determinadas tecnologias poderão ser tão importantes quanto as aplicações em si. Já imaginou em ter que “adquirir” determinadas bibliotecas ou instalar certos plugins especiais para prover a interconexão de diferentes plataformas?

O Slackware que se cuide… &;-D

Fonte: Guia do Hardware

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